Guarda roupa alemão.

Acredito que mesmo com o passar do tempo eu talvez nunca vá esquecer algumas coisas. Melhor que qualquer câmera fotográfica, tenho meus olhos que devem ser melhores que minha memória. O que fazer se um dia minha memória não lembrar o que meus olhos escolheram como as melhores lembranças?
Não quero esquecer do meu pai sentado à mesa jantando com a mãe, com as pernas cruzadas embaixo da cadeira, do fato de ele ter sempre sido paciente, e da dor que senti na única vez que ele me reprimiu.
Não quero esquecer das muitas vezes que minha mãe me ajudou com algumas palavras estranhas de português, das lições que ela me passou ao final de algum livro que ela tenha lido.
Não quero esquecer das imagens do meu irmão monopolizando o computador e eu por horas assistindo ele jogar qualquer coisa.
Não quero esquecer do rosto do meu coió, que talvez venha a ser o único garoto que vá gostar de mim realmente, me agüentar em minhas TPM mensais, que vá ser exatamente do jeito que ele é.
Da Rubi que já escutou muita besteira de mim, paranóias. A imagem que guardo é da gente queimando na praia, falando como os argentinos ou das vezes que eu fui junto com eles pra qualquer lugar. São tantas as lembranças.
Da Diana e do olhar reprovador e das vezes que me agüentou escutando as besteiras que saíram de minha boca. Não quero esquecer do tombo que eu não vi.
:(
São essas e tantas outras coisas que não cabem no papel, e que por mais que lutemos contra, vão se apagando de nossa cabeça. O que no final sobra, são imagens envelhecidas do resumo de nossas vidas.
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